Três passageiros mortos, o navio rumo a Cabo Verde sob negociações de quarentena e a cepa ainda sem nome. O manual do cruzeiro de expedição acaba de ganhar uma página inesperada.
O MV Hondius partiu de Ushuaia em meados de abril para o que foi vendido como uma viagem de 23 noites pela Antártida, Falklands e Atlântico Sul, terminando nas Canárias.
Ela não terminou nas Canárias.
Um passageiro de 70 anos adoeceu no mar e morreu a bordo. O corpo foi desembarcado em Saint Helena, o território britânico em que o navio havia feito escala a caminho do norte. A esposa de 69 anos — neerlandesa — foi evacuada por via médica para a África do Sul, depois desabou no aeroporto de Johannesburg ao tentar voltar para casa e morreu no hospital. Um terceiro passageiro morreu desde então. Outro está em terapia intensiva em Johannesburg, e cerca de cinco outros passageiros estão sendo tratados como casos suspeitos.
números do Ministério da Saúde da África do Sul, reportados por AP e CNN
Em 3 de maio de 2026, a Organização Mundial da Saúde confirmou pelo menos um caso de hantavírus positivo em laboratório no navio e disse que o sequenciamento para identificar a cepa específica está em andamento. O Hondius seguia, então, para Praia, Cabo Verde, onde as autoridades estariam negociando isolar em hospital os passageiros doentes restantes antes de qualquer continuidade da viagem.
Aqui vem a parte que deveria fazer todo cruzeirista de expedição parar para pensar.
O que o hantavírus de fato é — e o que não é
Hantavírus são uma família de vírus normalmente portados por roedores. As pessoas costumam se contagiar inalando poeira aerossolizada de urina, fezes ou saliva de roedores — tipicamente em cabanas, galpões ou onde camundongos ou ratos tenham feito ninho. A letalidade, dependendo da cepa, vai de poucos pontos percentuais até cerca de um terço dos casos.

